Para qualquer falante de português comum, uma posta é antes de mais uma talhada de peixe ou de carne, já cozinhada ou pronta para sê-lo. Este emprego não é desconhecido entre nós, mas na Galiza, posta concorre com toro (um toro de pescada, por exemplo).

Como particípio feminino do verbo ‘pôr’, posta usa-se em construções do género:
[1] A iguaria foi posta em cima da mesa.
[2] A eficácia da ajuda foi posta em causa.
[3] Estavas, linda Inês, posta em sossego.

→ «puesta»
Eis logo as locuções castelhanas com «puesta» mais frequentes, seguidas dalgumas das suas (possíveis) correspondências na nossa língua:
«puesta a punto» [máquina, mecanismo]: ‘regulação’, ‘afinação’, ‘arranjo’.
«puesta a punto» [teoria, sistema]: ‘aperfeiçoamento’, ‘melhoramento’.
«puesta al día» : ‘atualização’, ‘modernização’.
«puesta de sol» : ‘pôr do sol’, ‘sol-pôr’ (gz).
«puesta de largo» : ‘entrada’, ‘apresentação’ (em sociedade).
«puesta en escena» : ‘encenação’.
«puesta en marcha» [motor] : ‘arranque’.
«puesta en marcha» [campanha, programa] : ‘arranque’, ‘andamento’, ‘lançamento’
«puesta en práctica»: ‘aplicação’, ‘implementação’, ‘execução’.
«puesta en libertad»: ‘absolvição’, ‘libertação’.

! A forma cognata do castelhano («puesta») foi substantivada e é assaz produtiva nessa língua. Permite formar locuções do tipo: «puesta a punto/en marcha/en libertad…». Em português não se deu tal substantivação.
Não há portanto cousas como: *posta a ponto/em marcha…

 

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