Saltar navegação

O castelhano não é a medida de todas as coisas

Quantos falsos amigos conhecemos entre “galego” e espanhol?

Tens 2 minutos para preencher uma folha com falsos amigos.

Como correu? 5, 10, mais? Se encontraste mais de 10 és a/o maior!!! O mais comum é as pessoas não chegarem a 5.

Qual a causa da amnésia a respeito de falsos amigos na Galiza?

Há uma vinheta de Castelão muito esclarecedora a este respeito. Um professor andaluz, numa escola galega, pergunta: Cuantos años tienes? A resposta do miúdo foi: “Eu não tenho anhos, nada mais tenho uma vaca”.

Divertido? Para o miúdo, de certeza que não. O que é realmente destacável no episódio é que o miúdo nunca mais esquece o seu “erro”. Num processo de substituição linguística, um dos grupos de palavras que primeiro sofrem a erosão e acabam por desaparecer são aquelas que podem provocar obstáculos na comunicação com os falantes da língua de poder, sobretudo se são poderosos. Os falsos amigos estão bem dentro desta categoria: polvo, anho, pegar, ninho...

O castelhano não é a medida de todas as coisas

O facto de, em castelhano, dois significados se apresentarem sob a mesma palavra não implica que isto seja um modelo universal. A seguir veremos muitos exemplos deste tipo, mas adiantemos agora um. Repara no verbo enseñar que recolhe em castelhano os significados de Ensinar e também o de Mostrar. Olha agora o que acontece noutras línguas que nos são próximas:

Catalão Mostrar Ensenyar
Francês Montrer Apprendre, Enseigner
Inglês To show To teach
Italiano Mostrare Insegnare

Repara ainda como as palavras derivadas evidenciam a sua origem diferente: ensinamento, ensinador... vs mostrador, mostra...