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Um caso especial: as ditas FALSAS ESDRÚXULAS.

Vamos fazer um exercício de memória. Pensa nas tuas leituras de literatura galega, nomeadamente aquelas obras elaboradas antes da Transição. Certamente recordarás palavras como língoa, igoal ou cambeo. Uma diferença entre o galego-português e o castelhano é a instabilidade dos ditongos crescentes em posição final, que, inclusive na mesma pessoa, podem soar como UA, IO... ou como OA, EO...

Isto coloca uma questão. Repara nas palavras área e ária. Acentuaremos área e não ária quando na verdade ambas podem soar igual? A solução que prevaleceu foi acentuar todas as palavras “graves” acabadas em ditongo crescente: sério, história,égua. Recebem por isso o nome de FALSAS ESDRÚXULAS.

Sendo assim, esta regra exige uma outra. Se acentuamos uma palavra como séria, já não é preciso acentuar seria, do verbo Ser. Portanto, palavras como Maria, rio, sua e todas aquelas acabadas em ditongos crescentes não vão levar acento, na verdade uma medida bem económica. Para reter melhor estes aspetos lembra os famosos charutos da marca Faria. Fazem referência a uma família portuguesa e a sua pronúncia genuína é FaRIa, sendo a sílaba tónica RI e não FAria, como se pronuncia em castelhano.